sábado, 6 de agosto de 2011

NEOVERBOS

Quando eu era menina
Dizia: - Mãe, desdá esse nó pra mim?
Minha mãe achava o verbo desdar
Engraçado sem tanto
E ria muito,
Mas desdava o nó.

Nunca aceitei direito
Aquele riso da mãe.
Se eu desconsertava a palavra,
Era desonroso que lhe zombassem.
E a menininha taciturneava.

Ontem pedi para a mãe das estrelas
Desdar o nó das entrelinhas do tempo.
A mãe estrelar não sorriu,
Mas também não desdeu o nó.

Manoel de Barros que bem sabe tudo,
Já disse que a poesia das coisas
Está na graça verbal.

Tenho sonho de que a mãe das estrelas
Ora desate a gargalhar.
Depois que envelheci,
Não ligo mais para enxovalhos.
Os neoverbos também não.

Um comentário:

Eritania Brunoro disse...

Olá Nara, adorei teu espaço, obrigada pelo convite. Estes escritos são únicos. Parabéns!
Aproveito também para convidá-la a visitar meu blog http://simplesmenteaovento.blogspot.com , antes eu divulgava poesias, mas agora também estou divulgando eventos literários, concursos de poesias, lançamentos, um espaço que julgo importante. Bjos.
Eritânia